por débora g. portugal
Em debate realizado na Rádio Jovem Pan na semana passada com a economista Denise Campos de Toledo a respeito das privatizações propostas pelo governo de Michel Temer, o professor de história Marco Antonio Villa conseguiu misturar as coisas de tal modo que evidenciou que ele próprio não sabe o que dizer sobre as privatizações. Villa começa sua mistura ao desdizer o que já disse outrora, quando acusa os “falsos” liberais de apoiar a “ditadura” na época dos militares, quando ele próprio já disse anteriormente que regime militar não foi ditadura.

Marco Antonio Villa chegou a escrever um livro sobre a natureza do regime militar brasileiro, Ditadura à Brasileira. Nesse livro e em suas entrevistas à época do lançamento, seu discurso era de que durante os governos militares não vivenciamos o que se conhece por ditadura. Segundo o autor, seria preciso mudar o dicionário para chamar o regime de então de ditadura, pois não se conhecia em nenhum lugar do mundo ditaduras que permitiam eleições diretas, e ainda com horário político gratuito. E acrescenta que esse horário para propaganda eleitoral foi criação dos militares pra tornar as eleições de fato mais justas e, portanto, democráticas.

E isso ocorreu no ano de 1974, durante o período conhecido hoje como os anos mais duros da “ditadura”, os chamados anos de chumbo, com eleições diretas e propaganda política em pleno AI-5. Por esse critério, concordamos então com esse “velho” Villa que escreveu o livro, que todos esses fatos da época mostram que os governos militares brasileiros não eram sinônimo de ditadura, como insistem em nos dizer e nos ensinam desde o ensino fundamental, assim como fica evidente também a tentativa reiterada de criminalização de todo um período dos governos militares quando, ao fazer qualquer busca pela internet sobre esse período, a busca vem acompanhada do conceito de ditadura e suas consequências.

O que vivemos durante esses 21 anos foram épocas de administração de um presidente eleito por uma junta militar com doses maiores ou menores de dureza em resposta às ações criminosas e violentas dos guerrilheiros. Essa dureza do regime era necessária para época que estávamos vivendo. Mais que necessário, era questão de vida ou morte combater os ataques dos revolucionários comunistas cada vez mais articulados e perigosos. Essa dureza no período de fato não fez mal algum às pessoas de bem, que não matavam, nem sequestravam e nem explodiam bombas em atentados terroristas.

A história contada e depois negada pelo professor
Num dos trechos do vídeo mostrado mais abaixo (em 5’50”), Marco Antonio Villa diz literalmente que se construiu uma leitura equivocada do regime militar e que não devíamos ter medo de desmistificar essa leitura. 
Ele afirma que no ano de 1974 ocorreram eleições livres para o Senado nas quais o antigo MDB, que era o partido de oposição, ganhou em 16 estados dos mais importantes dentre os 22 estados que havia então no Brasil. Que ditadura foi essa?

No entanto, esse “novo” Villa parece ter mudado de opinião: agora, em toda oportunidade surge, mesmo em meio a uma conversa sobre privatizações, ele cria uma narrativa para dizer que vivíamos numa ditadura durante os governos militares. Em entrevista recente, Villa usou inclusive essa narrativa pra atacar o deputado Jair Bolsonaro, capitão do Exército Brasileiro e defensor do período dos governos militares como governos democráticos.

Seguindo o padrão adotado pela grande imprensa, Marco Antonio Villa desandou a acusar os militares de ditadores, contrariando o que disse num livro publicado por ele mesmo. Ficou evidente que não teria ele outro argumento, falacioso que fosse, pra tentar denegrir a pessoa de Jair Bolsonaro. Isso porque um ataque à figura política de Jair Bolsonaro é difícil de fazer por falta de argumentos honestos, restando portanto a seus detratores tentar associar a ele a imagem de radical, pois Jair Bolsonaro veio da carreira militar. Consequentemente, Marco Antonio Villa tem que mudar ali seu discurso anterior: afinal, o que importa pra ele é ter em mãos um fato que possa ser notícia, nem que pra isso esse fato tenha que ser criado para atender a uma agenda ideológica alinhada com seu “jornalismo” de militante.

A verdade é que Jair Bolsonaro tem despontado nos primeiros lugares nas pesquisas de voto para presidente nas eleições de 2018. Como não podem acusá-lo de corrupto, pretendem associar a ele nomes feios e endossar acusações descabidas que lhe são feitas, com o objetivo de desmerecê-lo.

Marco Antonio Villa fala também sobre o que ele chama de “falsos” liberais, aqueles que apoiaram a suposta ditadura. Ao mencionar isso, ele possivelmente está incluindo a si próprio pois, ainda que não se apresente como liberal ou “falso” liberal, não fica claro a respeito de quem ele está falando. Ao escolher atirar para todos os lado, Marco Antonio Villa se contradiz de todas as formas, ignorando o que ele próprio já publicou em livro justamente com o objetivo de desmistificar e desconstruir esse discurso de que tivemos uma ditadura durante os governos militares. Em seu livro inclusive ele faz comparações do que foi a suposta ditadura daqui com a de outros países fazendo um paralelo, por exemplo, entre o Brasil e a Argentina sobre decisões políticas e econômicas. Segue trecho do livro:

Enquanto a ditadura argentina fechou cursos universitários, privatizou e desindustrializou a economia, no Brasil ocorreu justamente o contrário. Os governos militares industrializaram o país, modernizaram a infraestrutura, romperam os pontos de estrangulamento e criaram as condições para o salto recente do Brasil.

São trechos como esse do livro de Marco Antônio Villa que nos levam a entender o próprio sentido do titulo do livro, uma suposta ditadura que foi à brasileira. O fato de Villa usar agora de argumentos distintos relativos àquele período para atacar as pautas de quem ele discorda é sinal evidente de desonestidade intelectual.

Entrando agora no mérito das privatizações: por mais que o país precise para sua própria sobrevivência, e admitindo nossa pouca saúde econômica dentre outras precariedades, separar a crise política (que existe, e é inegável) da política econômica que está sendo levada adiante através das votações pelo Congresso Nacional das reformas propostas por esse governo, há quem prefira, como Marco Antônio Villa, ser desonesto intelectualmente, subverter e promover um salseiro, citando privatizações que não “deram certo”, mas não sendo claro em explicar o porquê não deram, e assim confundindo a opinião pública.

Villa diz que é a favor das privatizações mas diz que o governo não vai realizar nada. Então ele concorda, mas diz que não acredita ser executável no prazo que o governo propõe viabilizar. Isso pode até ser verdade, mas quando a jornalista e economista Denise Campos de Toledo, sempre com colaborações pontuais e excelentes, diz que as privatizações são importantes e o debate imprescindível para se firmar como agenda para os próximos governos, ele concorda. Portanto, tudo se resume em ele concordar com as privatizações mas duvidar que sejam levadas a cabo.

Acontece que ninguém está dizendo mesmo que esse governo terminará tudo que pretende começar. Ninguém pode supor isso. Temos quase exatos um ano e quatro meses pra terminar esse mandato, projetos são iniciados e são executados, ou não, pelos próximos governos. Villa diz que concorda em privatizar, de novo concorda com a economista Denise Campos de Toledo, quando ela diz que se a Cemig tivesse sido privatizada Aécio Neves não estaria barganhando cargos para a empresa com o governo. Denise insiste que essa prática tem que acabar, essa indicação de cargos e esse jogo político que fazem quando detêm a administração das empresas. O exemplo da Petrobras e tantas outras é emblemático nesse sentido.

Mas eis que Marco Antonio Villa diz concordar, mas já emenda e acusa que não devem dar as empresas a preço de “bananas” como foi feito durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Que ele fosse claro: não se trata de não privatizar, e sim de fazer a coisa direito, e disso ninguém discorda. Mas ainda assim ele duvida de tudo, duvida até dele próprio quando desfala o que fala sem a mínima cerimônia. Ou seja, não existe coerência lógica no que o professor Villa diz. Diferentemente de antes, hoje Marco Antonio Villa mostra ser uma pessoa incoerente, lança mão de uma retórica histérica e não consegue ganhar um debate nem com a criançada.

Débora G. Portugal é empresária e colaboradora Crítica Nacional.
Edição de Texto de Paulo Eneas. #CriticaNacional #TrueNews


No vídeo abaixo abaixo, de cerca de quatro anos atrás, Marco Antonio Villa afirma enfaticamente que não faz sentido chamar o regime militar brasileiro de ditadura.


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