por emma sarpentier
A pobreza, a subsistência e a indolência formam um aglomerado de tragédias que o socialismo trouxe para a Venezuela. 
Soldados armados vigiam as poucas padarias e mercearias, farmácias e açougues, porque multidões desesperadas assaltam lojas e até mesmo matam por comida. A Venezuela é assolada pela fome. 

Os preços elevados e a escassez de produtos afetam cerca de oitenta por cento da população. Os campos de açúcar no centro agrícola do país estão paralisadas por falta de fertilizantes. Máquinas enferrujam sem ser utilizadas em fábricas estatais, que estão fechadas. Produtos básicos como milho e arroz, que eram exportados anteriormente, agora devem ser importadas e vêm em quantidades insuficientes para atender as necessidades da população.

Atualmente, comer se tornou um luxo na Venezuela. Antes que podíamos comprar roupas ou algo extra. Agora, o pouco dinheiro disponível é gasto em comida. O salário médio gira em torno de dez a quinze dólares. Estamos muito mal alimentandos, não nos alimentamos de forma equilibrada. Quando tem-se almoço, já não há para o jantar. Muitas vezes as pessoas fazem apenas uma refeição por dia. O dinheiro que antes podia comprar o lanche da manhã, o almoço, o chá da tarde e o jantar, agora permite apenas comprar o café da manhã. Se uma pessoa tem dinheiro, não consegue encontrar os alimentos, e se os encontra, o dinheiro será suficiente.

A inflação subiu para índices inimagináveis. Os economistas falam em 750% de índice de inflação. Sob estar condições, os venezuelanos estão morrendo. Além de insegurança, falta de medicamentos e alimentos, também existe a repressão do regime e as execuções extrajudiciais. Os centros de saúde encontram-se em péssimo estado. E tudo isso ocorre em uma terra que tem tudo para não precisar viver assim. Temos uma grandeza e uma riqueza que qualquer país no mundo sonharia em ter. Mas vivemos numa situação de um país em guerra, com cenas nas ruas que parecem um filme de terror: as ruas cheias de zumbis, pessoas esquálida, pálidas, rostos enegrecidos.

As clínicas não atendem emergências, porque não há nem mesmo uma aspirina. O parto como um ato natural da mulher torna-se o calvário de Cristo, para dar à luz uma criança desnutrida e sem abrigo. Nas portas das Igrejas Católicas ou Evangélicas pelas manhãs as imagens nos causam dor: encontramos crianças e idosos abandonados.

Hugo Chávez disse uma vez que a incapacidade do país para fornecer alimentos à população e a repressão do Estado eram as razões pelas quais a Venezuela precisava uma revolução socialista. Hoje, seus sucessores estão em uma situação ainda pior. A nação busca o que comer em meio ao desespero. Os dezoito anos de corrupção institucionalizada, além de não produzir nada, acabaram com o base econômica produtiva do país, produziram o aumento da pobreza, do desemprego elevado, destruíram a iniciativa privada, expropriaram as empresas, roubaram o empresario honrado.

A revolução chavista destruiu a Venezuela. O país sobrevive em meio a essa tragédia. A população não está preocupada com tecnologia ou comprar bens e serviços, pois além de simplesmente não ter acesso a eles, a população preocupa-se em cada dia em ter o que comer.

Emma Sarpentier é ativista venezuelana e colaboradora do Crítica Nacional em Caracas.
Edição de texto de Paulo Eneas. #CriticaNacional #TrueNews


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3 COMENTÁRIOS

  1. é justamente em função da autodeterminação que se deve intervir na Venezuela, atualmente o povo de lá não está se autodeterminando, precisamos colocar de novo isso nas mãos deles

  2. Há muita retórica, teatral, e pouca ação em relação à Venezuela. Evidentemente de que se trata de um país e que a autodeterminação passa a ser um obstáculo, questionável até certo ponto. O mais incrível em todo esse episódio é o silêncio da ONU e OEA.

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