por paulo eneas
Há meses já estamos afirmando aqui no Crítica Nacional que o nome escolhido pela grande imprensa para a sucessão presidencial do ano que vem é o do socialdemocrata tucano João Doria. Também dizíamos meses atrás que as rusgas entre alguns setores da imprensa paulista e o prefeito paulistano deviam-se unicamente a ressentimentos das redações dos veículos, formadas quase inteiramente por militantes petistas, e que em pouco tempo chegariam ao fim. 
Nossas análises até o momento se confirmaram: à exceção de um ou outro jornalista petista mais insistente, a grande imprensa vem pouco a pouco dispensando um tratamento generoso ao prefeito paulistano.

Os problemas reais da capital paulista que ainda persistem, bem como a decisão ideologicamente motivada por parte do prefeito de manter a herança petista em algumas áreas da administração municipal, passaram a ser ignorados.  Daqui para frente veremos a grande imprensa reproduzindo, à guisa de jornalismo, o marketing de bom gestor adotado pelo político socialdemocrata tucano, como forma de reforçar seu nome na disputa eleitoral.

Tivemos uma primeira amostra dessa adesão da grande imprensa à pre-candidatura tucana há pouco mais de um mês, em um evento fechado para a elite carioca no Gávea Golf Club do Rio de Janeiro, organizado pelos chefões das Organizações Globo e que serviu de palanque não-oficial para a apresentação da pré-candidatura tucana. Tratamos desse evento no artigo João Doria Em Pré-Campanha Presidencial No Rio De Janeiro, publicado na mesma semana. Agora, a capa da edição desta semana da Revista Isto É traz como chamada uma peça publicitária em favor de João Doria, outra vez disfarçada de matéria jornalística.

A chamada da capa, apresentando João Doria como o anti-Lula, pretende passar a imagem do prefeito socialdemocrata paulistano como sendo a principal voz do antipetismo ou do antilulismo na cena política nacional. Uma imagem que está em linha com a estratégia de marketing político adotada pelo prefeito antes mesmo de assumir o cargo, e que consiste no uso de frases de efeitos e clichês recheados com a demagogia bastante comum na tradição política brasileira para atacar Lula, sem jamais confrontar a agenda político-ideológica que que o petismo representa.

Pelo contrário, o político socialdemocrata que a Revista Isto É tenta retratar como o novo Anti-Lula faz questão de dizer que mantém boas relações com o ex-prefeito petista, afirma haver um lado bom do PT, e não se furta em continuar implementando nas políticas públicas à frente da prefeitura paulistana, e em suas declarações políticas de âmbito nacional, a mesma agenda político-ideológica endossada pelo petismo e pelas esquerdas de modo geral.

Esse fato confirma o prognóstico que fazemos aqui no Crítica Nacional desde o ano passado, de que o surgimento antipetismo e do antilulismo se tornariam bastante úteis à esquerda, uma vez que possibilitariam a essa esquerda limpar-se em sua própria sujeira, condenando o lulopetismo, e ao mesmo tempo seguir adiante com sua agenda ideológica naquilo que realmente importa. Os fatos estão comprovando que nosso vaticínio estava correto.

Além de peça de propaganda, a capa também oculta a realidade, ao ignorar o fato de que a real voz não apenas anti-lulista, mas também antipetista e anti-esquerda na cena política brasileira é a de Jair Bolsonaro, razão pela qual seu nome já se encontra na prática em primeiro lugar em muitas pesquisas de intenção de voto para presidente no ano que vem. Por fim, é ilustrativo lembrar que há alguns poucos meses alguns dos expoentes da chamada nova direita afirmavam com bastante convicção que em pouco tempo João Doria seria alvo de todo tipo de ataque e de boicote por parte da mídia main stream, por ser um suposto outsider da cena política. Nós contestávamos essa afirmação. Os fatos recentes mostram quem estava com a razão.



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2 COMENTÁRIOS

  1. Perfeita a análise. Infelizmente no momento não tenho condições financeiras de ajudá-los. Mas só peço que Deus abençoe a equipe. Continuem assim!

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