por paulo eneas e débora portugal
A Lava Jato é essencialmente uma operação de investigação de crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e outros ilícitos praticados por agentes públicos ou privados. Quem possui expertise para fazer trabalho de investigação é a Polícia Federal e não procuradores do Ministério Público. Desde seu início, a Lava Jato sempre viveu uma tensão entre seu braço investigativo formado por policias federais, e o braço encarregado de oferecer denúncia à justiça com base nessas investigações, os procuradores.

Essa tensão aumentou e muito nos últimos dias. A Polícia Federal denuncia que Rodrigo Janot está criando dificuldades para ouvir a proposta de delação de Antonio Polocci, delação esta que envolveria as Organizações Globo. Além disso, o Procurador Geral teria baixado norma dificultando a participação da Polícia Federal em outros acordos de delação.

A grande imprensa por sua vez, em particular o blog O Antagonista, passou a manhã inteira dessa segunda-feira publicando uma narrativa mentirosa sobre o novo titular da Corregedoria da Superintendência da Polícia Federal no Paraná, sugerindo que sua nomeação para o cargo tem por objetivo comprometer a Lava Jato, sem dar qualquer evidência nesse sentido. O Antagonista se comporta como porta-voz oficioso do segmento procuradores ativistas do Ministério Público Federal, os mesmos que acabam prejudicando a Lava Jato por conta desse ativismo.

O quadro que temos nesse momento é de uma tentativa de afastar ou dificultar o trabalho da Polícia Federal na Lava Jato, tentativas essas originadas na própria Procuradoria Geral, que obviamente conta com o apoio dos procuradores para essa investida. Parte da grande imprensa por seu turno tenta vender a ideia de que é a Polícia Federal que está criando dificuldades para a Lava Jato por decisão do governo Temer, narrativa essa que interessa a Rodrigo Janot, às Organizações Globo, ao blog O Antagonista, às esquerdas em geral, assim como é de interesse político do segmento de procuradores-ativistas que fazem declarações políticas quase diárias. 

A Lava Jato está sob fogo cruzado, mas por não por iniciativa do governo através da Polícia Federal. Trata-se exatamente do oposto: as investidas contra a operação vem justamente da Procuradoria Geral da República e de segmentos do Ministério Público que travam uma guerra já não tão surda contra a Polícia Federal, contando com apoio das esquerdas, de parte da imprensa e de grupos econômicos monopolistas. As razões dessa investida são de natureza política e econômica, e também corporativistas de parte do Ministério Público.

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1 COMENTÁRIO

  1. “A Lava Jato está sob fogo cruzado, mas por não por iniciativa do governo através da Polícia Federal.”? Como interpretar, por exemplo, a nomeação de Torquato “Aragão” Jardim para o Ministério da Justiça, o drástico esvaziamento da força-tarefa de Curitiba, o estrangulamento dos recursos da PF ( que nem os governos petistas lograram fazer), os encontros de Temer e Gilmar Mendes, o encontro de Temer com o jornalista tucano Reinaldo Azevedo, porta-voz informal dos antilavajatistas na imprensa?

    Causa espécie o modo como os antilavajatistas tentam tentam culpar a operação por tudo o que está acontecendo no país, como a criminalidade dos políticos, a corrupção das empresas, as tretas político-partidárias e, pasmem!, a própria operação que visa a abafar a Lava Jato.

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