por paulo eneas e débora portugal
O Jornal O Estado de São Paulo publicou em maio desse ano um texto do procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, integrante do Ministério Público Federal em Curitiba, originalmente escrito no perfil do procurador no facebook. O texto é um conjunto de pérolas demagógicas típicas de qualquer político tradicional, recheado de figuras de linguagem como podridão, cadáver insepulto, mau cheiro e outros clichês.

O procurador faz em seu texto um exercício de retórica oca e demagógica, apresentado como pretensa análise politica, ancorando-se na popularidade que a Operação Lava Jato lhe conferiu. Sintomaticamente, ele termina quase todas as suas postagens no facebook com a hashtag #2018iscoming, faltando apenas pedir para que votem nele para algum cargo eletivo nas eleições que, ele alerta, estão chegando no ano que vem.

No texto reproduzido pelo jornal O Estado de São Paulo, o procurador apresenta suas credenciais de integrante do Ministério Público e membro da hoje extinta Força Tarefa Conjunto da Lava Jato, para logo em seguida dizer que está falando como cidadão, e não condição indicada pelas suas credenciais, que ele faz questão de exibir.

É preciso ter em mente que não existe essa distinção de falar ora como Procurador da República, ora como cidadão. Isso não passa de uma narrativa artificial e demagoga. Imaginemos se amanha um general resolva vir a público dar sua opinião sobre a situação política do país e alegar que está falando como cidadão e não como integrante das Forças Armadas? Óbvio que tal conduta seria reprovada. Ou seja, não faz sentido um agente do Estado vir a público para pretensamente falar como cidadão. Esse apelo retórico não passa de um clichê, que vem sendo usado largamente por esse procurador e de outros procuradores-caçadores de holofotes do Ministério Público.

Nenhum procurador que atua ativamente e diretamente na Lava Jato, e que obteve toda uma projeção pública e milhares de seguidores em decorrência desse trabalho, pode ter a pretensão de achar que se tornaram supostos formadores de opinião independentemente do fato de serem objetivamente aquilo que são: procuradores que atuam na Lava Jato. Suas manifestações públicas, e a atenção que o público confere a elas, não estão dissociadas da condição de serem investigadores da Lava Jato. Tentar dissimular essa condição por meio de clichês, como estar falando como cidadão, constitui-se em uma mera demagogia e uma tentativa de beneficiar-se da própria Lava Jato. 

As únicas pessoas que efetivamente falam como cidadãos, e que nem mesmo precisam qualificar-se como tais para fazê-los, somos nós os cidadãos comuns, que não fazemos parte do aparelho burocrático do estado. 

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